Sem tempo para lamentações e vendo a vida mudar radicalmente “da noite para o dia” com a chegada do novo coronavírus ao Brasil, ainda em março, eles não tiveram dúvidas que a solução estava na internet não só pra eles, mas para muita gente.

Acostumada às grandes aglomerações em torno das exposições que produzia em shopping centers e nos shows e eventos que produzia, a agora empresária Thais Garcia Reverte se voltou para o seu lugar de trabalho e viu as dificuldades dos comerciantes – principalmente os pequenos – em digitalizar os negócios. Foi aí que surgiu o marketplace @FunylStore.

“Eu nunca fui uma empresária. Trabalhava no setor de eventos e, de repente, não tinha mais trabalho, nem renda. Procurei dentro do que eu tinha aprendido na minha carreira vivida em função das aglomerações. A criação do marketplace era uma opção que poderia me ser útil e a muito mais gente”, explica Thais Reverte.

Disposta a aprender, ela montou o próprio marketplace, o integrou mais conhecidas plataformas e agora é uma espécie de representante dos seus clientes nos grandes centros de compras virtuais. Ela cadastra os produtos oferecidos pelos negócios nas grandes plataformas e também vende em suas redes digitais.

Além disso, orienta os empreendedores, tira dúvidas sobre gestão e finanças e criou uma equipe para captação de lojistas. A maior dificuldade é, ainda, segundo ela, a pouca intimidade de muitos empreendedores com a tecnologia.

“Estamos trabalhando principalmente com pequenos e microempreendedores e artesãos para que tenham oportunidade. O objetivo é fazer isso em nível Brasil, ajudando gente de todo lugar e que as pessoas conheçam os produtos de diferentes regiões. Percebemos a dificuldade das pessoas em mandar bom material de divulgação. Criamos um tutorial para ajudar. Mas estou vendo uma mudança no pensar, as pessoas percebendo que vender e comprar pela internet dá certo. Em breve queremos ter nosso próprio aplicativo”, anuncia a criadora da FunylStore.

Lourenço criou um marketplace em seu site sobre cultura e eventos | Crédito: Divulgação

Apesar de já estar na internet, o empreendedor Rômulo César Lourenço, que comanda a plataforma Giro Cultural, com guias e informações dos principais pontos turísticos do Brasil, também viu seu negócio ser seriamente afetado.

Para sair dessa situação, ele redirecionou os esforços e criou um marketplace no seu site para lojas que estão fechadas. O intuito é ajudar e valorizar os pequenos comerciantes. Mais de 50 lojistas de BH e região metropolitana já demonstraram interesse e o cadastro para empreendedores já está aberto no site. Para participar o negócio deve ser formalizado.

“Começamos o projeto no meio do ano passado para executar este ano, em parceria com as prefeituras. Há uma carência muito grande na divulgação de eventos das cidades do interior, mas a pandemia veio e cancelou tudo. Então desenvolvi o marketplace dentro do Giro Cultural. Analisando as grandes plataformas, vimos que daria pra fazer muito mais barato e mantendo a qualidade. Hoje o comerciante paga de 11% a 25% do total da venda. Vamos cobrar só a manutenção da página, com 5% do valor da venda”, afirma Lourenço.

Qualidade – A qualidade do produto é fundamental para o sucesso do marketplace. Os lojistas serão visitados e incentivados a fazer uso profissional das redes socais inclusive passada a pandemia. O objetivo final é ajudar a fortalecer o comércio local.

“Até aqui os pequenos produtores tinham pouco interesse pelas plataformas on-line. A verdade é que o mundo mudou. Eles precisam se adaptar e, pelo menos, fazer propaganda pelas redes sociais. Temos uma equipe para ajudá-los a estruturar as lojas na plataforma. Especialmente nesse fim de ano, queremos incentivar a compra local. Temos que fazer a economia girar dentro das nossas localidades. Esses empresários não têm como competir com as gigantes internacionais, precisam de apoio”, completa o criador da Giro Cultural.

Confraria se adapta e realiza encontros virtuais

Crédito: Divulgação

Em um cenário absolutamente novo e de impactos tão grandes como imprevisíveis, toda ajuda é bem-vinda. Criada em 2016, a Confraria do Empreendedor, chamada pelos seus participantes simplesmente de Confra, viu seu trabalho de orientar e ser um espaço de criatividade e ajuda mútua entre empreendedores, ganhar ainda mais relevância durante a pandemia.

Obra de dois mineiros e um baiano estabelecidos em São Paulo, o grupo agora volta um olhar mais aguçado para Belo Horizonte e Minas Gerais. De acordo com uma das fundadoras, Natália Lazarini, os encontros acontecem em diversos formatos como happy hour promovido em restaurantes, encontro de grupos de corrida, o ConfraCorre, ConfraChef com experiências gastronômicas. Atualmente são quase mil participantes.

“Belo Horizonte é um polo de startups muito interessante e sempre tivemos muitos participantes de Minas. Com a pandemia voltei para a cidade e agora temos como foco desenvolver a plataforma no Estado. A necessidade do isolamento social trouxe uma outra dinâmica aos encontros e abriu novas possibilidades. Tão logo seja seguro fazer encontros presenciais voltaremos a eles, mas acredito em um futuro de modelo híbrido”, afirma Natália Lazarini.

Alguns encontros foram realizados em Belo Horizonte antes da pandemia. Batizados como Confrauai, reuniram principalmente empresas de base tecnológica e contaram com apoio de empresas como o Group Software, Monetizze e Sambatech.

A própria comunidade de empreendedores percebeu que existiam temas transversais que mereciam ser discutidos com mais profundidade, gerando até agora 13 subgrupos, como o ConfraSocial que idealiza uma série de ações voluntárias, neste momento disponível digitalmente pela plataforma do próprio ConfraSocial.

“Nunca crescemos tanto como agora. Os eventos sempre foram muito importantes pra nós, mas o virtual ajuda a quebrar outros tipos de barreira, como a geográfica, por exemplo. Hoje podemos juntar gente de todos os lugares que dificilmente se encontrariam. Acreditamos que negócios não se fazem apenas por uma troca de interesses. Existe criatividade envolvida nisso, empatia. São muitas as formas de fazer negócios. As pessoas não imaginam a quantidade de sociedades que já se formaram nos nossos encontros porque os empreendedores perceberam que tinham muito mais em comum do que a necessidade de comprar ou vender algo”, completa a cofundadora do Confraria do Empreendedor.

Repórter: Daniela Maciel

Artigos Relacionados