No olho do furacão que se tornou a pandemia do novo coronavírus, muitos têm procurado um porto seguro que traga novas chances e oportunidades. Na tentativa de se preparar para o “novo normal” que vai surgir depois de tantas mudanças econômicas e sociais, o Capitalismo Consciente é um caminho possível e provável para empresas e sociedade.

Essa abordagem propõe, simultaneamente, criar valor e bem-estar para todas as partes interessadas em um negócio, como colaboradores, fornecedores, clientes e a própria sociedade, de forma que todos possam ganhar.

Baseado em quatro pilares, o Capitalismo Consciente pressupõe que todo negócio deve ter claramente um propósito elevado, deve haver integração dos steakholders, que precisam enxergar valor no negócio, há necessidade de liderança consciente e de uma cultura e gestão humanizadas dentro da organização.

Na avaliação da embaixadora do Capitalismo Consciente Brasil e diretora da Legacy4Business, Francine Pena Póvoa, a pandemia causada pelo Covid-19 tem sido uma oportunidade para repensar a maneira de fazer negócios, de consumir e de se relacionar.

Nesse contexto, o movimento “Todos Juntos Pelas Empresas de Minas”, iniciativa do DIÁRIO DO COMÉRCIO, também propõe levar valor para as partes envolvidas nos empreendimentos mineiros, especialmente os pequenos negócios, para que todos possam contribuir e receber uma contribuição.

“Esse debate já tem acontecido, no Fórum Econômico Mundial, por exemplo, e agora com a pandemia começamos a perceber que temos que repensar as formas de se fazer negócio, de consumir e até os nossos próprios valores. Esse é o momento do ‘Todos Pelas Empresas de Minas’ e do Capitalismo Consciente porque são dois movimentos que querem a mesma coisa”, afirma Francine Póvoa.

Estamos vivendo uma crise civilizatória por falta de percepção da vida, defende Raimundo Soares | Crédito: Michelle Mulls

O diretor do Instituto Orior Pesquisa em Biossistemas Humano e Organizacional, professor Raimundo Soares, lembra que as crises aparecem por desequilíbrios, sejam eles econômicos, sociais ou ambientais e ressalta que estamos vivendo uma crise civilizatória por falta de percepção da vida e de que tudo está interligado.

Ele também defende um capitalismo humanizado como forma de gerir os negócios, com a necessidade de organizações humanamente conscientes.

“Estudos demonstram que empresas com organizações conscientes são mais longevas e lucrativas que as demais. Os diferenciais humanos são a capacidade de lidar com seu animal interno e se perceber integrado a um grande organismo inteligente maior que o indivíduo, um senso de religiosidade”, explica Raimundo Soares.

Para ele, só é possível construir organizações e uma sociedade conscientes com o desenvolvimento de indivíduos conscientes. Sendo assim, dentro das organizações, têm sido trabalhadas as lideranças como agentes de transformação global por meio do senso de conexão histórica, conexão com a natureza e conexão com as organizações.

“A forma como vivemos, convivemos, compramos, vendemos e produzimos estão fazendo história e já estão dizendo como o futuro vai ser. Por isso discutimos sobre isso, para promover outro futuro no nosso caminhar civilizatório. Se continuarmos com a mesma forma de viver e conviver, o futuro que está se projetando não é muito legal, estamos em rota de colisão com a inteligência e com a vida”, alerta.

Essas organizações humanamente conscientes são percebidas como comunidades de desenvolvimento que, entre outras características, reconhecem sua realidade enquanto ser vivo e promovem uma gestão orgânica e articulada das suas dimensões vitais da identidade (missão, valores e estratégias), de desenvolvimento (evolução) e operacionais (efetividade), alinhadas com os organismos externos.

Nesse sentido, o lucro é apenas um dos objetivos das empresas e é responsável por viabilizar a causa de cada organização para atender as demandas humanas. Se essas demandas forem atendidas de forma eficaz, a empresa naturalmente vai crescer.

“A organização humanamente consciente tem uma profunda busca pela compreensão do humano e sabe que, para sobreviver e crescer, deve legitimar os demais agentes corresponsáveis pela sua longevidade”, completa Raimundo Soares.

Francine Póvoa: o DC tem papel importante na propagação dos novos valores | Crédito: Divulgação

Plataforma de conteúdo – Essas e outras reflexões provocadas pelo novo coronavírus trouxeram consigo a necessidade de um conteúdo diferenciado e um novo engajamento por parte do DIÁRIO DO COMÉRCIO junto às empresas mineiras.

Nesse sentido, o projeto “Juntos Pelas Empresas de Minas” busca divulgar iniciativas, proporcionar inspiração, conhecimento e apoio para os empreendedores de Minas Gerais que querem fazer a diferença por meio dos seus projetos.

Para Francine Póvoa, o papel do DIÁRIO DO COMÉRCIO nesse momento, no qual importantes decisões precisam ser tomadas, é fundamental não só como veículo de comunicação, mas como uma plataforma de conteúdo que vai inspirar e propagar o que está acontecendo no cenário de negócios, para apoiar as empresas de Minas nos processos de tomada de decisão de negócios, unindo o propósito elevado nos negócios com o lucro e resultados, levando em consideração todos que estão envolvidos no processo.

“O DIÁRIO DO COMÉRCIO já tem uma trajetória de grande credibilidade e, nesse momento, como empresa apoiadora do Capitalismo Consciente, torna-se uma plataforma de conteúdo não só para informar, mas para levar exemplos e apoiar as empresas mineiras, os gestores e lideranças de negócios no processo de tomada de decisão mais consciente. O jornal tem uma responsabilidade e um papel importante na propagação dos novos valores, que estamos chamando de um novo normal nos negócios”, destaca Francine Póvoa.

Matéria: Ana Carolina Dias

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